quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Wisława Szymborska: "As três palavras mais estranhas"

"As três palavras mais estranhas"
   - de Wisława Szymborska


Quando pronuncio a palavra futuro,
A primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra silêncio,
destruo-o.
Quand pronuncio a palavra nada,
crio algo que não cabe numa não-existência.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Duas pessoas a escrever em metade do teclado em simultâneo no NCIS


Num episódio do NCIS, o disparate acontece 3 vezes numa única cena, em que os argumentistas delirantes colocam:


  1. uma firewall a ser violada e a gerar freneticamente janelas desconexas e mensagens alucinantes, entrecortadas com código supostamente a ser executado (!?)
  2. duas pessoas a usar cada uma a sua metade do teclado em simultâneo, para conseguirem combater mais rapidamente o intruso (!!!???)
  3. um dos supostos especialistas diz que nunca viu código assim, ao observar as janelas frenéticas que vão sendo geradas aleatoriamente.
Tudo isto é verdadeiramente estúpido e inverosímil. Mais uma vez, os argumentistas demonstram a sua ignorância informática.

Pesquisa de pegadas absurda no CSI Nova Iorque


Num episódio da sétima série do CSI Nova Iorque, os argumentistas voltaram a cair na tentação de mostrar graficamente uma pesquisa que jamais se desenrolaria assim no mundo real. 

No mundo da fantasia, o criminalista insere uma pegada parcial e o programa de pesquisa na base de dados vai alegremente mostrando todos os registos da mesma. 

Mais uma vez, tal como já foi referido amiúde neste blogue, isto é uma estupidez. Não haveria nada mais ineficiente, no mundo real.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Apagamento de coisas da internet no Dexter

Jerez de los Caballeros
Num episódio da sexta série do Dexter, o Masuka pede a um estagiário para tentar resolver um problema de um prova de um crime que tinha sido leiloada por uma anterior estagiária, entretanto despedida. O estagiário diz que vai dar uma vista de olhos. Mais tarde, revela a Masuka que não consegue obter a peça de volta, dado que já fora vendida, mas que conseguiu apagar da internet todos os vestígios da transação. Hmm? O quê? Apagar da internet? O que é apagar da internet? Entrar nos servidores do google? Mais um perfeito disparate.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Migalhas e interferências analógicas no rosto da mentira

Oktoberfest 2012, em Lisboa
Num episódio da terceira temporada da série "o rosto da mentira" ("lie to me", no original), há uma empresa informática com 3 sócios, dois homens e uma mulher. A mulher é assassinada. Um dos sócios, o alegadamente menos inteligente, diz que pode ajudar os detetives a detetar os passos do seu sócio. O disparate começa aqui, quando este alega que consegue detetar os passos do sócio através de umas "migalhas informáticas", que depois mostra como ficheiros representados a vermelho sobre fundo preto, como se estivessem escondidos. Pouco depois,  todos os computadores da sala começam a sofrer uma interferência completamente analógica, com linhas horizontais de distorção, espalhadas por toda a imagem, de cima abaixo. Ao ver isto, afirma categoricamente que foi o sócio a entrar na rede dos detetives e a apagar o seu rasto.

Mas que patetice é esta?

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Atentados à informática em James Bond Skyfall



Ver o que o computador tem lá dentro dá origem a um gráfico 3D com linhas a unir pontos e a umas letras a pairar pela tela. Mmm ? Porquê representar o que vai dentro do computador com estes gráficos só porque são bonitos ? Depois o Bond diz para carregar num botão e o gráfico converte-se num mapa:

   - É um mapa
   - Pois
   - É Londres
   - Pois
   - Veja lá aquele grupo de letras e aquele outro: juntando-os dá o nome de uma estação
   (grande olho, ò Bond ...)

E de repente a rede do MI6 vai abaixo (pois claro, são uns anjinhos e ligaram o computador do mau à rede deles, sem firewalls ou redes isoladas, nem nada). Não, claro que o bandido é que sabe (pois para além de ser ex-agente secreto malévolo ainda tem tempo para perceber mais de informática que os serviços secretos).


Mais tarde, Bond quer fugir e pede ao especialista do MI6 para deixar "rasto" para que só o bandido consiga ver o rasto. Só o bandido consiga ver? Lá está, ex-agente secreto que percebe mais de informática que os serviços secretos. Mas qual rasto ? É muito fácil não deixar rasto. E não há nenhuma forma normalizada de deixar rasto. O Bond escapa com um carro completamente analógico. Será que tinha um telemóvel a transmitir a posição do GPS ao bandido por SMS? Demasiado óbvio. Será que tinha um telemóvel a transmitir a posição do GPS ao MI6 com uma chave que só o bandido conseguiria descobrir ? E porque é que só o bandido é capaz de descobrir? Terá super-poderes de adivinhação? Muito estranho. "Rasto": os argumentistas não são nada precisos.

domingo, 8 de julho de 2012

Patético ambiente de trabalho remoto não autenticado em CSI Nova Iorque

Ovos mexidos com míscaros, em Albuquerque

Num episódio da série 7 CSI Nova Iorque (o 17º), o especialista informático Adam descreve uma brilhante tecnologia que talvez lhe permita explicar como algum estudante de uma escola onde se verificou um homicídio possa ter tido acesso aos enunciados dos exames, antes de serem impressos. Explica então que existe o chamado ambiente de trabalho remoto, em que uma pessoa pode ver o computador de outra, bastando para tal indicar o IP do computador cliente (mas...mas... para quê?!) e o do remoto. Demonstra, em seguida, este conceito, entrando no computador do seu chefe, sem qualquer dificuldade e sem qualquer necessidade de autenticação. Isto é um perfeito disparate, obviamente.

Mais à frente, um suspeito revela ter de facto entrado várias vezes nos computadores dos professores com esta metodologia, obtendo sempre de forma fácil e eficaz os enunciados, dizendo que os professores são todos ignorantes em termos informáticos. Parece-me que esta afirmação se aplica, isso sim, aos argumentistas. Que estupidez.

Mas, justiça seja feita, houve também duas boas piadas neste episódio:
  - os ingredientes de uma garrafa de água incluíam Estaline e Crutchov
  - uma das substâncias suspeitas encontradas durante a investigação aparentava ser terra de Marte